Co-Produção | Rita Sales e Dina Ladina | Teatro do Elefante
Sinopse
A Rã Princesa é um
conto tradicional russo apurado pelo passar dos tempos que transmite uma herança
cultural assente na oralidade. A mensagem é transversal e significativa para
pessoas de gerações, níveis de literacia e proveniências diferentes. A
importância do conto maravilhoso assenta na forma como se expressa
simbolicamente e com recurso à fantasia, incentivando a construção do sentido da
história pelos espectadores. Esta é, aliás, uma das características da arte:
permitir pelo menos tantas interpretações quanto o número de pessoas que dela
usufruem.
Esta é uma história de príncipes e princesas, marcada pela
intemporalidade que só aparentemente não se refere à sociedade moderna. Apesar
de relatar a vida das personagens, a narrativa desenvolve-se num tempo e num
espaço que não são o da nossa realidade, facto importante para que não se
confunda o conto com o quotidiano. O conto tradicional refere-se sobretudo às
questões internas dos seres humanos, aos seus pensamentos e emoções,
exteriorizando-os e ajudando a torná-los compreensíveis.
O herói de A Rã
Princesa é o Príncipe Ivan, o mais novo de três irmãos que vive um curioso
dilema: como poderá aceitar uma rã por companheira, ele, que considera a vida
uma coisa séria. Trata-se na verdade de um dilema maior, que espelha a angústia
e o medo na aceitação da sua maturidade. Certa noite o Príncipe Ivan precipita o
desenvolvimento da história e desencadeia uma serie de acontecimentos
atribulados. O jovem terá que deixar a casa dos pais e seguir pelo mundo sozinho
para conquistar a sua independência. É contudo, um conto optimista, que
demonstra como a passagem para a vida adulta pode ser feita com sucesso, embora
com necessidade de ultrapassar alguns obstáculos.
A morte, a solidão, o sentimento de perda, são temas a que
todos somos sensíveis e que A Rã Princesa nos apresenta, num apelo à imaginação,
através de imagens e personagens fantásticas.
Rita Sales
Apresentação
A vontade de animar histórias através de objectos de tecido
nasce por acreditarmos que assim se estabelece uma relação mais estreita e
táctil com o espectador. Uma abordagem a plástica e visual é um elemento
facilitador da comunicação entre o contador e os espectadores. Os objectos ou
bonecos valorizam o texto e a palavra dita em voz alta, captando a atenção,
apelando ao toque e estabelecendo uma relação sensorial.
Do ponto de vista plástico este projecto baseia-se na
animação da história, através de acessórios em tecido, dando forma a personagens
e cenários que se desenvolvem em cor e texturas diversas. O contador manipula
peças de vestuário de onde surgem figuras que revelam os acontecimentos, dando
origem a situações surpreendentes.
Estes bonecos remetem para as
matrafonas, objectos da nossa história
e afectos. Também nos recordam outros objectos executados a partir do recurso a
sobras de tecido, patentes na tradição portuguesa, tais como os
taleigos ou as
mantas de retalhos. Todos eles
associam a actividade oral de contar histórias à vida quotidiana das pessoas.
Enquanto se materializavam tapetes ou mantas, novas histórias eram tecidas.
A elaboração de peças originais surge das possibilidades infinitas de exploração
do tecido, apresentando uma construção plástica inédita. Procura-se, deste modo,
fomentar o potencial criativo e levar à descoberta de um imaginário existente em
cada um de nós.
Dina Ladina
Ideia e Concepção Plástica