Mas, afinal, para onde
caminhamos?
O futuro do
nosso modo de vida – da civilização actual – é incerto e sobretudo parece ser
muito frágil. Devíamos mesmo inscrever nas várias faces do pacote em que
transportamos a bagagem cultural e o património natural da sociedade em que
vivemos: “manipular com cuidado” - ou, com vista à globalização dos mercados
mundiais, FRAGIL - THIS SIDE UP!.
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A nossa civilização, em que podemos rever todas as formas de
organização das sociedades humanas que a antecederam, é um grande navio a todo o
vapor navegando entre correntes marítimas, rumo ao futuro. Um navio que viaja
mais depressa, para mais longe e com mais carga que todas as outras
arcas de noé, em várias gerações de
homens e mulheres. Possuímos meios tecnológicos mais eficazes, em vários
domínios da vida. Temos recursos técnicos que nos asseguram a melhoria das
condições de trabalho, a reprodução de produtos e bens essenciais, em larga
escala.
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Somos
donos e senhores de um legado cultural
e de informação nunca antes visto. No entanto, persistem a pobreza e as
profundas disparidades, entre os seres humanos, na capacidade de aceder a bens e
serviços fundamentais à vida. Há razões de sobra para perguntar: afinal, para
onde caminhamos? A resposta talvez resida neste facto: por mais que a humanidade
caminhe no sentido da evolução e do progresso – sobretudo no campo técnico e
tecnológico – tal como Phileas Fogg, no seu percurso, ela torna ao lugar de
partida, seja qual for esse ponto individual ou colectivo. O problema da
modernidade é saber se a nossa aventura na Terra terá um
final feliz.
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Poluímos o planeta, consumimos para além da capacidade de
regeneração da Terra, esgotamos recursos. Pouco ou nada fazemos para alterar o
rumo cleptómano em que seguimos nesta
viagem às voltas, através do mundo. O progresso em que assenta a evolução,
sobretudo do mundo ocidental, pode tornar-se uma armadilha em que a própria
civilização poderá perecer, se não mudar rapidamente as coordenadas de direcção
do navio.
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Vivemos num ciclo viciado: queremos mais, consumimos muito mais, temos
necessidades cada vez maiores… perdemos a noção de escala. Acreditamos no
progresso material como os nossos antepassados acreditavam nos mitos, como
verdade absoluta. Mas vale a pena pensar que:
Terra há só uma! E ela é a nossa casa comum.